A etiqueta precisa de atualização

O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) classifica os equipamentos que utilizam energia no Brasil por meio de etiquetas com faixas coloridas e letras. O nível “A” é a categoria que informa os produtos mais eficientes, ou seja, aqueles que consomem menos energia. Essa etiqueta é um importante guia para que o consumidor escolha os equipamentos mais eficientes na hora da compra. Para isso, a classificação em faixas da etiqueta tem que ser revisada de tempos em tempos. Para os refrigeradores, essa revisão não acontece desde 2006. O resultado é que praticamente todos os refrigeradores disponíveis hoje no mercado brasileiro são classificados como “A” quando grande parte deles deveria ser “B”, “C” ou até mesmo “D” e “E”.

A atuação da Rede Kigali

O processo de revisão da etiquetagem foi iniciado pelo Inmetro no final de 2020 e a consulta pública da nova portaria começou em 29 de março de 2021, aberta por um prazo de 60 dias para receber contribuições da sociedade. A Rede Kigali tem por objetivos na revisão da etiqueta dos refrigeradores:

1) Garantir que a revisão seja feita imediatamente com base nos critérios mínimos do Energy Star, um padrão internacional de consumo eficiente originado nos Estados Unidos.

2) Garantir que haja uma segunda fase de revisão da etiqueta, após a adoção dessa primeira fase e a partir de 2026, seguindo a classificação “A” do Programa de Eficiência Energética das Nações Unidas, o U4E (United for Efficiency).

A Rede Kigali não recomenda a adoção de uma fase intermediária de revisão que inclua subníveis de classificação dentro da categoria A (A+, A++, A+++). A Rede defende que sejam mantidas as faixas de classificação da etiquetagem atual com letras de que vão de A a C, D ou E ao invés das subclassificações da categoria A, pois essa mudança pode confundir o consumidor. É uma experiência fracassada que ocorreu na União Europeia e na Tailândia, sem sentido de incorrer no mesmo tipo de erro no Brasil.

Item de necessidade básica

A geladeira está presente na casa de mais de 98% dos brasileiros, segundo o IBGE. Esse equipamento, por estar ligado o tempo todo, tem um grande impacto na conta de luz, sobretudo da parcela mais pobre da população. Geladeiras mais eficientes consomem menos eletricidade e fazem com que os consumidores economizem no valor pago pela energia todos os meses.
Eficiência energética faz bem para o bolso do consumidor, para o meio ambiente, economiza água dos reservatórios das usinas hidrelétricas e evita o uso de eletricidade mais cara das usinas termelétricas.

Hoje a etiqueta do Inmetro está passando uma informação enganosa ao consumidor, levando-o ao erro de comprar produtos que não são os mais eficientes como se o fossem. Sem essa atualização, hoje a diferença entre a eficiência energética dos aparelhos classificados como “A” à venda chega a 100%.

Com a revisão, a etiqueta forneceria informação confiável ao consumidor e auxiliaria na tomada de decisão ao permitir que ele possa comparar equipamentos parecidos para optar por aqueles mais eficientes.

VANTAGENS TAMBÉM PARA A INDÚSTRIA

A atualização também melhora a competitividade da indústria brasileira. Por baixa eficiência, as geladeiras brasileiras “A”, ou seja, consideradas eficientes no Brasil, não podem ser vendidas na Europa e em países como Quênia, México, Índia e Estados Unidos.

A atualização também melhora a competitividade da indústria brasileira dentro do próprio país ao possibilitar uma efetiva corrida por inovação tecnológica dos fabricantes para se destacarem na categoria mais alta de eficiência (classificação “A”).